O MITO DO MINOTAURO

 

O Mito do MINOTAURO

O Minotauro (literalmente, o “touro de Minos”) era um monstro metade homem, metade touro, filho de Pasífae, esposa do rei Minos de Creta. O nome Minotauro é, na verdade, um pouco enganoso, pois ele não era filho de Minos. Seu pai era um touro branco puro, sagrado para o deus Poseidon.

 

Em uma versão da história, Minos se recusou a sacrificar o touro ao deus do mar, como havia prometido. Como vingança, Poseidon afligiu Pasífae, rainha de Minos, com um desejo sexual irresistível pelo touro.

 

Os autores antigos não se furtavam a detalhar como Pasífae e o touro se encontraram. Segundo o mito, o mestre artesão Dédalo (famoso por Ícaro e pelo labirinto) concordou em ajudar a apaixonada Pasífae construindo uma estrutura de madeira em forma de vaca, esfolando uma vaca de verdade e esticando a pele sobre a estrutura.

 

Pasífae então entrou na estrutura, e a vaca foi levada para fora e colocada perto do touro. Nove meses depois, nasceu o Minotauro devorador de carne, um “memorial de amor indizível”, como Virgílio o descreve.

 

Não é surpresa que o Minotauro tenha se revelado terrivelmente poderoso: a irmã de sua mãe era a feiticeira Circe, que transformava os homens de Odisseu em porcos, e seu irmão era Eetes, pai de Medeia. Mas Dédalo mais uma vez veio em seu auxílio, oferecendo-se para construir o labirinto, um labirinto do qual a criatura jamais conseguiria escapar. Infelizmente, não há vestígios arqueológicos da maravilha de Dédalo (se é que ela existiu), mas as ruínas do palácio de Cnossos são absolutamente impressionantes.

 

Para alimentar o Minotauro, o rei Minos exigiu que Atenas (que lhe devia um favor pela morte de seu filho Androgeu) enviasse sete meninos e sete meninas, anualmente ou a cada nove anos (dependendo da versão do mito). É aqui que começa o conhecido mito de Teseu: Teseu vai para Creta como um desses jovens e desvenda o labirinto com a ajuda da princesa Ariadne e de Dédalo. Sua morte do Minotauro foi um tema muito popular na arte, tanto antiga quanto moderna.

 

A partir daqui, a história se ramifica em muitas direções diferentes: há Ariadne, abandonada por Teseu, depois casada com o deus Dionísio, Dédalo e seu filho Ícaro, e o desastroso retorno de Teseu para Atenas. Mas vamos nos ater ao Minotauro. Diferentemente dos centauros, que eram uma raça à parte, o Minotauro era único em sua espécie. E embora o conheçamos simplesmente como Minotauro, a criatura também tinha um nome: “Asterion”, que significa literalmente “o estrelado”, talvez indicando uma ligação com a constelação de Touro. Para mim, o nome sempre implicou uma interioridade fascinante, porém não revelada: seria o Minotauro também, de certa forma,uma pessoa?  

 

Em um poema de Catulo, Ariadne diz que “preferiu perder seu irmão a deixar Teseu morrer.

É surpreendente ouvi-la chamar o Minotauro de irmão porém é claro que ele é. Catulo também apresenta uma bela comparação entre os chifres do Minotauro e os galhos de uma árvore que se agitam ao vento, enquanto uma tempestade (Teseu) a arranca pela raiz. Continuo esperando que alguém escreva sobre esse mito a partir da perspectiva do Minotauro.

 

Mais algumas considerações sobre o Minotauro: esta história também apresenta algumas referências simbólicas interessantes. O touro era um dos símbolos sagrados de Creta, e especula-se que seus famosos “dançarinos de touros” possam ter encenado partes desse mito, ou que o mito tenha derivado dessa prática.

O mito também se refere claramente a uma época em que Creta, com sua civilização minoica, dominava o Mediterrâneo: Atenas sentia que devia pagar o tributo ou seria destruída pelo reino mais poderoso.

 

Por fim, uma das partes mais estranhas do mito para mim (e que sempre me incomodou quando criança) era o fato de a cabeça de meio touro do Minotauro ser carnívora. Não deveria ser simplesmente vegetariana? Mas aí, suponho, não haver O Minotauro (literalmente, o “touro de Minos”) era um monstro metade homem, metade touro, filho de Pasífae, esposa do rei Minos de Creta. O nome Minotauro é, na verdade, um pouco enganoso, pois ele não era filho de Minos. Seu pai era um touro branco puro, sagrado para o deus Poseidon.